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O Compasso da Ética e o Desenho de uma Nação

Imagine que nos entregam as chaves de um imponente navio. Ele possui motores potentes, uma tripulação numerosa e combustível suficiente. No entanto, ao subirmos ao convés, percebemos que não há bússola, não há mapas e ninguém sabe ao certo qual é o porto de destino. Esse navio, por mais robusto que pareça, está condenado à deriva ou ao naufrágio nos primeiros recifes.

Essa analogia reflete, com precisão, a situação de um país que tenta caminhar sem um projeto de nação claro e consistente. Construir o futuro de um povo exige sabermos, com exatidão, onde queremos chegar e como chegaremos lá. E a argamassa que sustenta essa estrutura não é o pragmatismo político vazio, mas sim a ética.

No debate público ocidental, costumamos reduzir a ética a um mero sinônimo de “não ser corrupto”. Obviamente, a honestidade administrativa é o piso, o requisito mínimo de entrada para a vida pública. Mas a verdadeira ética, aquela que edifica potências, vai muito além da ausência de escândalos no telejornal.

A ética de que precisamos é a ética da responsabilidade, da coerência e da construção. Como bem ensinava Aristóteles, a política deveria ser a extensão da ética, e a virtude não é um estado passivo, mas uma prática constante voltada ao bem comum. Transpondo para a nossa realidade:

– Ética é votar por convicção técnica e moral, e não por conveniência ou fisiologismo.
* Ética é zelar pelas contas públicas, entendendo que o dinheiro do pagador de impostos é sagrado e não pode ser usado para sustentar privilégios ou projetos puramente populistas.
* Ética é a coragem de decidir o que é certo a longo prazo, mesmo que isso custe a popularidade imediata nas redes sociais.

Quando compreendemos que a ética é o compasso que define o “como” chegaremos ao desenvolvimento — preservando as liberdades individuais, a ordem e o império da lei —, paramos de aceitar remendos e passamos a exigir um projeto de país estruturado.

O fato é que um projeto de nação consistente não nasce por decreto presidencial; ele é lapidado, debatido e blindado no poder mais representativo da República: o Congresso Nacional. É ali que o destino das nossas famílias, das nossas empresas e da nossa economia é decidido diariamente.

Portanto, o verdadeiro exercício da cidadania não ocorre apenas de quatro em quatro anos na cabine de votação. A renovação real e qualificada começa agora, por meio de uma auditoria rigorosa e constante daqueles que já estão exercendo o mandato.

Precisamos olhar atentamente para os nossos parlamentares e avaliar três pilares fundamentais:

– As Votações: Como eles se posicionam em reformas estruturais, na defesa das liberdades e na responsabilidade fiscal? Suas escolhas protegem o cidadão ou incham o Estado?
– ⁠As Decisões: Eles mantêm a coerência entre o que prometeram na campanha e o que praticam nos bastidores das comissões?
* As Omissões: Muitas vezes, o silêncio é mais prejudicial do que o voto contrário. Onde estavam os parlamentares quando pautas cruciais para o futuro do país foram debatidas? Eles se omitiram por medo do desgaste político?

A substituição consciente é a chave. A verdadeira renovação política não é a troca cega de nomes por figuras exóticas ou salvadores da pátria. A verdadeira renovação é a substituição estratégica: tirar quem sabota o futuro por omissão ou interesse próprio, e colocar indivíduos alinhados com a ordem, o mérito, o respeito às instituições e a eficiência.

Caro leitor, nenhum país se tornou grande por acaso. O desenvolvimento econômico e a estabilidade social de democracias consolidadas foram frutos de escolhas difíceis, guiadas por lideranças que tinham um mapa na mão e a ética no coração.

Como cidadãos atuantes, nossa missão intelectual e prática é elevar a barra das nossas exigências. Não podemos mais nos contentar com o “menos pior”. Precisamos provocar o nosso próprio senso crítico e o daqueles ao nosso redor.

Ao fiscalizarmos o Congresso desde já, estamos desenhando o rascunho do país que queremos ser. Que sejamos exigentes, atentos e, acima de tudo, coparticipantes dessa construção. Afinal, o futuro não é algo que simplesmente acontece; o futuro é o destino que escolhemos e construímos, passo a passo, com a firmeza de nossos princípios.

LUÍS MÁRIO LUCHETTA é graduado na Faculdade Católica de Administração e Economia – FAE, em Ciências Contábeis, desde 1984. É pós-graduado em Planejamento Empresarial, também pela FAE, em 1985, e em Marketing Empresarial pela UFPR em 1995. Empresário atuante, inovador e participativo do Setor de tecnologia da informação desde 1986, e é Associado fundador do Instituto das Cidades Inteligentes-ICI. Também é Conselheiro de Administração e Fiscal certificado do IBGC. É Grão-Mestre Honorário do Grande Oriente do Brasil Paraná – GOB-PR

Direto da Redação RCP News

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