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A derrota não foi acaso. Foi consequência.

A derrota não foi acaso. Foi consequência.

Mais do que lamentar uma eliminação, o Brasil precisa compreender que o futebol moderno é construído sobre planejamento, disciplina, gestão e mérito. O passado inspira, mas não vence partidas.

Por Prof. Roque Cortes Pereira

O futebol sempre foi muito mais do que um esporte para o povo brasileiro. É parte da nossa identidade, da nossa cultura e da nossa história. Por isso, cada derrota da Seleção Brasileira ultrapassa as quatro linhas e desperta sentimentos de tristeza, indignação e reflexão.

Perdemos.

E perdemos porque fomos superados por uma equipe mais preparada.

É preciso dizer isso com serenidade e responsabilidade. No esporte de alto rendimento não existe espaço para justificar derrotas apenas pela falta de sorte. A sorte pode interferir em um lance isolado, mas jamais explica uma campanha inteira. Quem acredita que o acaso determina resultados ignora o valor da competência, do planejamento e da meritocracia, fundamentos que sustentam qualquer equipe vencedora.

A Noruega entrou em campo organizada, disciplinada e emocionalmente equilibrada. Executou seu plano de jogo com inteligência, intensidade e eficiência. Não venceu por acaso. Venceu porque trabalhou melhor, preparou-se melhor e soube aproveitar as oportunidades que construiu.

Há um aspecto que merece reconhecimento e respeito.

Mesmo após a classificação, os jogadores noruegueses demonstraram grandeza. O comportamento dentro de campo foi marcado pelo fair play. Nas entrevistas e comemorações, houve respeito pela história da Seleção Brasileira, reconhecendo a tradição do país que revolucionou o futebol mundial. Essa postura engrandece o esporte e mostra que vencer não exige humilhar o adversário.

Também respeito profundamente a dor do torcedor brasileiro e dos atletas que estiveram em campo. Nenhum jogador veste a camisa da Seleção desejando fracassar. Entretanto, representar o Brasil exige muito mais do que talento individual. Exige compromisso absoluto com o escudo, espírito coletivo, liderança, preparo físico, inteligência emocional e dedicação permanente.

Talento nunca foi suficiente.

A história dos maiores campeões brasileiros demonstra exatamente o contrário. As gerações que conquistaram os cinco títulos mundiais uniram criatividade, disciplina, humildade, treinamento intenso e respeito ao coletivo. O brilho individual sempre esteve subordinado ao objetivo comum.

Infelizmente, nos últimos anos, o futebol brasileiro parece ter invertido essa lógica. Em muitos momentos, confiou excessivamente na tradição, na qualidade técnica e na força da camisa, enquanto outras seleções evoluíram em gestão, tecnologia, análise de desempenho, formação de atletas e organização tática.

O futebol mudou.

Hoje, vence quem trabalha melhor.

Quem planeja melhor.

Quem investe melhor.

Quem corrige erros com rapidez.

Quem entende que excelência não é um destino, mas um processo permanente.

Não se trata de saudosismo. O passado não entra em campo. As cinco estrelas continuam sendo motivo de orgulho, mas não garantem vitórias futuras. O respeito conquistado ao longo da história precisa ser sustentado diariamente por competência, profissionalismo e resultados.

Particularmente, não me decepcionei.

A decepção nasce quando a expectativa supera a realidade. O que vimos foi o desfecho de um processo que já demonstrava sinais claros de fragilidade. A verdadeira surpresa teria sido levantar a taça diante das limitações apresentadas ao longo da competição.

Mas toda derrota carrega uma oportunidade.

Ela obriga dirigentes, treinadores, atletas e torcedores a abandonarem desculpas e enfrentarem a realidade com maturidade. É o momento de investir seriamente na formação de atletas, fortalecer as categorias de base, valorizar treinadores qualificados, profissionalizar ainda mais a gestão esportiva e construir uma cultura baseada no mérito, na disciplina e na responsabilidade.

O Brasil continua sendo uma potência do futebol mundial. Possui história, talento, paixão popular e capacidade para voltar ao topo. Contudo, isso somente acontecerá quando compreendermos que tradição inspira, mas não substitui trabalho.

O futuro pertence àqueles que têm coragem para mudar.

Que esta derrota não seja lembrada apenas como uma eliminação, mas como um ponto de partida para uma profunda reconstrução.

Porque o futebol, assim como a vida, continua ensinando a mesma lição:

O talento revela possibilidades. O trabalho constrói resultados. A humildade sustenta conquistas. E somente a dedicação transforma uma geração em legado.

Prof. Roque Cortes Pereira
Professor, escritor, pesquisador e articulista. Presidente da FUNCLORB – Fundação de Cultura, Lazer, Organização e Responsabilidade Brasileira. Defensor da educação, da ética, da liderança e do esporte como instrumento de formação humana e transformação social.

Direto da Redação RCP News

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