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13 anos com unha encravada: quando a dor vai além do físico
13 anos com unha encravada: quando a dor vai além do físico
Por Adriana Andrade – Podologista Clínica e Professora Universitária
Uma unha encravada pode parecer um problema simples.
Mas, para alguns pacientes, ela se transforma em anos de dor, limitação e sofrimento emocional.
Recentemente, atendi um paciente de 26 anos que conviveu com unha encravada por 13 anos. Durante toda a adolescência, ele enfrentou dor constante, inflamações recorrentes e uma rotina marcada por tentativas frustradas de tratamento.
O que mais chamou atenção não foi apenas o tempo — mas o impacto que isso causou na vida dele.
Uma dor que impediu uma adolescência normal
Enquanto outros jovens praticavam esportes, saíam com amigos e viviam experiências comuns da idade, ele lidava com dor. Ele não conseguia jogar bola.
Não conseguia usar calçados fechados com conforto.
E, muitas vezes, precisava se afastar de atividades simples por causa da inflamação.
Segundo ele, “nunca conseguia ver o dedo sequinho”.
A inflamação era constante. Foram quatro procedimentos cirúrgicos, sem resultado definitivo.
Mais do que um problema físico, aquilo se tornou um peso emocional.
Quando o problema atinge o emocional
Durante o relato, ele compartilhou algo que me marcou profundamente:
sua adolescência foi traumática por causa da unha encravada.
A dor constante, a frustração e a sensação de não ter solução fizeram com que ele desenvolvesse um quadro emocional abalado.
Em um momento de desespero, ele chegou a pensar em tomar uma atitude extrema contra si mesmo, simplesmente porque não suportava mais viver daquela forma.
Esse tipo de relato mostra algo que muitos ainda não entendem:
problemas nos pés também impactam a saúde emocional.
Tentativas sem orientação e o ciclo que não termina
Assim como muitos pacientes, ele também tentou resolver sozinho em diversos momentos. Mexia, cortava, tentava aliviar a dor como conseguia.
Sem orientação adequada, o problema se tornava recorrente. E esse é um dos maiores erros: tentar resolver em casa algo que exige avaliação profissional.
O início de um novo caminho
Quando iniciou o tratamento comigo, a primeira coisa que deixei claro foi:
“O tratamento é 30% aqui no consultório e 70% em casa.”
O sucesso depende da parceria.
Foi então que algo surpreendente aconteceu:
mesmo após 13 anos de problema, ele nunca havia recebido orientação correta sobre cuidados básicos, como a separação adequada da borda ungueal e o uso de anteparo para auxiliar na cicatrização.
Iniciamos o tratamento com técnica, acompanhamento e disciplina.
Hoje, ele é um paciente comprometido, segue corretamente as orientações, cuida da alimentação e realiza os curativos em casa da forma adequada.
E isso faz toda a diferença.
Um alerta importante
Esse caso não é raro.
Muitos pacientes convivem por anos com unha encravada acreditando que “é normal” ou que “não tem solução”.
Não é normal sentir dor constantemente.
Não é normal conviver com inflamação.
E, principalmente, não é algo que deve ser tratado com improviso.
Conclusão
Uma unha encravada pode começar como algo simples — mas quando não tratada corretamente, pode impactar a vida inteira de uma pessoa.
Cuidar dos pés é cuidar da saúde física e emocional.
E buscar orientação profissional no momento certo pode evitar anos de sofrimento desnecessário.
Adriana Andrade
Podologista Clínica | Professora Universitária
Especialista em Onicomicose | Atuação em cuidado podológico do paciente diabético
Centro de Podologia Avançado – Angra dos Reis
Instagram: @adrianaandrade.podologista